29.9.08

tenho saudades monstras. uns carinhos monstros que não consigo explicar. carências monstras, também, já me disseram. depois eu soube.

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tenho inveja de muita gente. minha carência faz com que.

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muitas coisas eu não entendo. só vejo minha idade no espelho.

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me ressinto de não ter nascido linda e poeta. saravá hilda hilst, lygia fagundes telles, fernanda young. sem apreciação crítica da poesia.

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meu tesão se confunde com a minha melancolia. meu abraço é meu sexo. excitada posso assistir à tv e dormir.

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às vezes tenho dúvidas sobre meu amor pela arte. verdadeira sensibilidade ou inveja?

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não importa quantas vezes me fale a verdade. vou me enganar de novo.

22.9.08

a poesia amolece mesmo a gente, enfraquece. a beleza e tudo que sensibiliza. ou quase tudo. de tudo o que eu gosto da melancolia de um certo romantismo, de algumas imagens e combinações de sons, se eu me deixar, vejam bem, estremeço. choro. fico molenga de nem querer fazer nada, nem tomar banho, nem limpar a casa. fazer um bolo de milharina com receita da ana maria braga, imagina! com poesia a gente não faz essas coisas não. fica querendo ter vida de cinema. cai em triste ilusão. o mundo tem menos barulho e é sempre cinza, o cigarro tá sempre aceso e o olho na calçada, sabem? mas e o iptu, aluguel, net, a padaria da esquina? é possível, sem dúvida, fazer literatura. ser literatura, contudo... ou a gente nasce rico (se bem que pode perder tudo, como Baudelaire) ou dorme na rua (e depois frequenta os poetas ricos e morre traficante, como Rimbaud). parece impossível ser literatura sem tragédia.

9.9.08

saudade da poesia. essa que a gente mais ama - mesmo quem diz que não ama - a que deixa a gente mole, quase liquefeita. poesia de pau em riste não me faz abrir as pernas.

e agora todo mundo sabe o quanto sou romântica.

1.9.08


voltando às merdas - definimos, eu e um amigo, a existência de duas: a merda básica e a merda agregada. a básica - perder aqueles a quem mais amamos, adoecer, morrer...; a agregada - todos os outros percalços não inerentes à vida e que de vez em quando vêm f* a gente. enfin... ele pensa que a merda agregada seja pior, eu penso que o mal é mesmo a básica. uma conclusão possível tendo como base a discussão que foi muito longa pra por aqui: tá faltando merda agregada na minha vida - pra ser otimista assim, deve estar mesmo.