24.11.10

com as tuas mãos me fiz um carinho
com as tuas mãos frias me fiz
infeliz sem ter mais que:
tuas mãos frias.

com teus lábios frios me dei um beijo
com teus lábios frios me dei
adeus aos beijos teus:
teus lábios frios.

e em teu coração inerte pousei um rosto quente e contrito
e lágrimas quentes e contritas irrigaram tuas veias de novo sangue
e voltaste à vida:

se deus existisse, a história possível.
mas deus não existe e finda o fim disso.





18.11.10

como com os olhos tuas palavras
de ti é o que ainda tenho
bem que não seja meu

o gosto das tuas palavras
na minha língua traz
o gosto da tua língua
ai que saudade

sobe à cabeça tão fina cocaína
eu fecho os olhos as tuas palavras
os teus olhos tristes

fecho os olhos os teus olhos tristes
como eu os amo
vou gozar agora

tua barba me roça o pescoço
tuas mãos
me apertando as nádegas
as tuas palavras jorram

acaricio as tuas palavras
gozo e choro em duas leituras
nunca contentamento
vejo agora esta tela lisa inquieta
reflete e não a minha cara pois a vejo
me reflete melhor que me vejo
frente ao espelho o olho
e palavra

11.11.10

Série Diálogos Incerteiros

No melhor do beijo, de olhos fechados, sem perceber, ela:
_Te amo.
Ele para assustado o exercício:
_Hein?!
Ela, voltando a si, sem jeito, diz:
_Oi...É...Desculpa.
_...
_Tava pensando em outra pessoa.
Ele suspirando de alívio:
_Ah! Ufa! Que bom! Ainda bem! Hehehe...
E a beija no recomeço.