22.9.08

a poesia amolece mesmo a gente, enfraquece. a beleza e tudo que sensibiliza. ou quase tudo. de tudo o que eu gosto da melancolia de um certo romantismo, de algumas imagens e combinações de sons, se eu me deixar, vejam bem, estremeço. choro. fico molenga de nem querer fazer nada, nem tomar banho, nem limpar a casa. fazer um bolo de milharina com receita da ana maria braga, imagina! com poesia a gente não faz essas coisas não. fica querendo ter vida de cinema. cai em triste ilusão. o mundo tem menos barulho e é sempre cinza, o cigarro tá sempre aceso e o olho na calçada, sabem? mas e o iptu, aluguel, net, a padaria da esquina? é possível, sem dúvida, fazer literatura. ser literatura, contudo... ou a gente nasce rico (se bem que pode perder tudo, como Baudelaire) ou dorme na rua (e depois frequenta os poetas ricos e morre traficante, como Rimbaud). parece impossível ser literatura sem tragédia.

2 Comentários:

Blogger Francisco Castro disse...

Olá, gostei muito do seu blog. Ele é muito bom.

Parabéns!

Um abraço

24/9/08 10:37  
Blogger Guto Leite disse...

Mais do que assino este teu post, lindeza... Beijo imenso!

24/9/08 23:22  

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