31.3.08

A poesia adoeceu o mundo.
A poesia adoeceu os olhos do mundo.
se essa rua fosse minha
eu mandava ladrilhar
com pedrinhas de brilhante
para o meu amor passar

nessa rua tem um bosque
que se chama solidão
dentro dele mora um anjo
que roubou meu coração

assim, da cantiga, veio a melancolia
e eu, que apenas imaginava o que fosse um bosque
tarde e tarde, à sombra vacilante de árvores de troncos retorcidos,
sonhava com anjos


cante na cabeça a cantiga.

Marcadores: , ,

25.3.08

Meu nome eu não sei e é mesmo verdade que não me interesso só por literatura

'Meu nome não é Jhonny' rendeu uma excelente bilheteria e nem tão excelentes discussões. Houve, contudo, uma discussão quase interessante, em Brasília, aberta ao público e com figurões do judiciário, como o ministro do Supremo Marco Aurélio (de) Mello.

Muito bem: porque quase interessante? Por que, como sói acontecer neste país, se uma certa opinião é festejada, manifestar-se contra ela, ainda que com argumentos coerentes, é dar atestado de burrice (e vai você assim, taxado de burro, até alguém com fama de intiligenti te tirar do limbo. Caso isso não ocorra, será burro pra sempre, tendo como castigo os ouvidos moucos dos demais).

Enfim, voltando, que eu sou parceira das digressões, mas reconheço que atrapalham: no caso da discussão de Brasília, foi opinião assente que a juíza Marilena Soares acertou ao não condenar João Estrella por formação de quadrilha e ao comutar a pena de quatro anos de reclusão (como se sabe, o traficante passou dois anos no manicômio judiciário). As disposições em contrário levaram em conta 'a realidade brasileira' e que a justiça deve julgar 'atos', não 'pessoas'.

Mesmo com essas ressalvas, a decisão da juíza foi elogiada, pois teve 'sucesso', ou seja, João Estrella parou de traficar, de usar e hoje ainda ganha cinco mil reais por palestra que dá a adolescentes, sempre tão suscetíveis às drogas.

Houve uma fala, porém, que me deixou embasbacada (e agora eu começo a contestar a concordância), pelo descaramento e total falta de senso de justiça (por mais sobrenatural que esse tal senso possa parecer):

_ A juíza conseguiu captar a diferença entre o criminoso por ganância e o criminoso por inconsequência.

Essa frase, proferida pelo subprocurador-geral da República, Eugênio Aragão, nos dá a exata dimensão do quão manipulável e manipulador pode ser o judiciário brasileiro. Pelo amor de deus, gente! Um cara com esquemas na Europa, que iria exportar seis quilos de pó! Seis quilos de pó não são inconsequência nem aqui, nem na China e nem em Marte. O cara podia ser um viciado, viciadaço, mas ninguém jamais ouviu dizer que viciado não trafica e nem tem quadrilha e nem comanda morro e nem comanda o tráfico (só pra lembrar, João Estrella naquele momento era um dos maiores traficantes do RJ).

O problemão existente aqui é justamente personalizar a lei - e personaliza-se e pessoaliza-se tudo no Brasil. Se formos colocar na balança a vida de todos os nossos traficas, ninguém mais é condenado decentemente, pois uns poderão alegar, como Estrella, que traficavam pra pagar o próprio vício; outros vão alegar que eram criminosos por necessidade (que subprocurador-geral irá dizer que a necessidade é mais criminosa que a inconsequência?) e outros motivos surgirão, tão ou menos culpáveis que a inconsequência, mas que só desculpabilizarão os filhos das classes mais abastadas, únicos dignos da compaixão de juízes Brasil afora.

Assim é que se pode mesmo pensar em absolver os moços ricos que matam mendigos e batem em prostitutas: eles não são criminosos por 'maldade', são criminosos por 'inconsequência'.

É pra gente se perguntar quando praticar crimes trará a milhares de criminosos alguma consequência.

p.s.: eu não sou boba de achar que não se devem pesar agravantes e atenuantes num julgamento...

Marcadores: , , , , , ,

BANCOOP QUEBRA - não, não me interessa só a literatura

Há mais ou menos três anos, segundo pude apurar em pesquisas unicamente internéticas, a cooperativa habitacional do Sindicato dos Bancários de São Paulo, a BanCoop, deixa seus cooperados em polvorosa com atrasos na entrega de imóveis, paralisação de obras e cobranças extraordinárias de 'prestações', inclusive de cooperados cujos bens já haviam sido quitados. Bem, eu já participei de uma cooperativa e sei que é assim mesmo: não importa quanto tenhamos pago, se surgem dívidas devemos honrá-las, pois somos sócios, não meros consumidores, compradores ou seja lá o que for.

A questão é outra, antiga e conhecida destas paragens: caixa 2. O dinheiro foi parar nas contas da campanha presidencial de Lula em 2002 e da campanha de Marta pela prefeitura de São Paulo em 2004. Quem diz não sou eu, mas o Ministério Público e alguns subempreiteiros suas testemunhas, que afirmam terem sido obrigados (do que duvido) a lançar notas frias, superfaturando obras e entregando o dinheiro a pessoas ligadas ao PT (do que tenho certeza. Só pra constar, o fundador da BanCoop é ninguém menos que Ricardo Berzoini).

Mais coisa bonita: em 2004 (ano de eleição) a cooperativa habitacional amealhou R$43 milhões de fundos de pensão (da Petrobrás, da Caixa e do Banco Brasil) e já em 2005 apresentava uma dívida de R$100 milhões... Como assim?

Nada pode ser tão claro e patente: o PT não era trigo e deveria perder definitivamente a credibilidade ante seus eleitores mais assíduos - a classe média intelectualizada e os pobres. Eu, que fui criada em berço esplêndido de esquerda, acreditando na idoneidade do partido e do operário sindicalista, continuo chorando meu dream is over político. Contudo, após um partido e uma cooperativa, sei que a única coisa que nos pode salvar das rasteiras dos salafrários deste país é 'a eterna vigilância'.

p.s.: se o Lula disser que de nada sabia, não me surpreenderei: nessas horas, a melhor coisa é mesmo fingir de morto.

Marcadores: , , , ,

24.3.08

nem sol, nem lua, nem a rua
nem ela só, na janela
nem mar, nem praia ainda que de paulista
nem o bêbado, nem a fonte
nem a musa

que nos deixou a poesia?

19.3.08

Gu,

a poesia esgotou o mundo.

18.3.08


O mal-humorado

sim, eu poderia dizer 'mas essa lua, mas esse conhaque'. não quero dizê-lo.
eu poderia 'repetir até ficar diferente'. não vou fazê-lo.
se ainda 'teremos Paris' não sei. não quero sabê-lo.

Rá.

E tenho raiva de quem o sabe.

Alguém viu o novo programa do Marcelo Tas na Band? Vejam, vejam, vejam! É um dos poucos respeitáveis da TV! Segunda que vem às 22h15, se deus quiser, o CQC (custe o que custar, apelidado por mim de sai que é sua - jejeje) volta pra fazer a gente rir e pensar (ao menos um pouquinho...) - não percam.

Marcadores: , ,

Com o psiquiatra:

_ Acredito que essa atitude te tire de um lugar que você não quer mais ocupar, te coloque em outra posição, num lugar diferente, outro, não igual ao de antes, inaugurando portanto um novo tempo, no qual você participa de forma diferente, o lugar que você ocupa é diferente, a tua posição se diferencia aí, veja bem, porque você sempre esteve numa posição, como você sabe, e agora não, é outro lugar...
_ Você não cansa mesmo dessa ladainha?
_ Tua pergunta, por exemplo, te coloca num outro lugar aqui e em outros lugares...

17.3.08

Com um escritor consagrado:

_ Mas eu li o seu livro há muito tempo. Tinha só quinze anos, nem lembro direito - tenho quase trinta...
_ Mas diz dessa tua leitura... O que achou do livro nos tenros quinze aninhos?
_ Eu achei bobo, sabe? Adolescente mesmo, no pior sentido.

Muxoxo. Riso amarelo.

12.3.08

E Dalton Trevisan é bem melhor....

_ Você é gorda, mas é limpinha.
_ ...
_ Você é feia, mas é de graça.

10.3.08

Da série Diálogos Incerteiros:

_ Me dá um cigarro aí, ô tia!
_ Você tá muito nova pra fumar. Dou não.
_ Então vai tomá bem no meio do seu cu!!!
_ Vai você!!!
Da comunidade 'Brincando de Arnaldo Antunes', com modificações:

nau do arnaldo

NÃO,
D´antunes!
Dante infernal
Uau
No ar de antes
Navegantes
Náufragos
Alvos
Salvos
Silvos
Silvas
Dados
Fadados
Vão à tua nau
Uau, uau.

Marcadores:

5.3.08

Da série Diálogos Incerteiros:

_ Não dá mais, menino. Vamos terminar por aqui.
_ Mas por quê?!
_ Porque senão vou acabar me apaixonando pela sua namorada.