9.12.09

escritos antigos antigos

um dia ainda vou-me embora
pra um lugar sem nome e sem palavra
escritos antigos antigos

por essas e outras histórias, resolveu tecer para si, com o fio que a ajudaria a salvar-se, o mais intrincado dos labirintos.

por amor à poesia, acabou por sentir mesmo uma espécie de felicidade, sozinha, no escuro, à cata da saída como rima? sina?, na certeza de jamais encontrá-la.

pôde, assim, deixar-se ficar, andar sempre e sempre devagar, sem estremecer os nervos, sem retesar os músculos, sem ansiar liberdade.

8.12.09

escritos antigos antigos

errante eu disse ao dia
poemas mortos
um rabisco
passeio de pluma
desvio do objeto
quis dizer ao dia e não disse
não saberia dizê-lo
pois está quente

errante
eu frente à televisão
eu fazia o poema
escritos antigos antigos

sim, sou essa pessoa rancorosa.

por que sempre começar com afirmativas?
como resposta? como se tivesse diante o
olhar inquisidor?

guardo durante anos as histórias e aquele
olhar de esguelha e aquele olhar amarelo
e o ruivo...

pra mulher, nada é mais importante
que a beleza. naquele dia em que ela
apareceu, rolada da grama do IFCH,
cabelo um emaranhado e sandálias
havaianas legítimas, ele disse: - nossa,
como é linda! assim, sem precisar de
nada,
ela era muito mais bonita
que eu com meu melhor
cigarro,
que Marlene Dietrich com sobrancelhas
de borboleta,
que Marilyn com mil
bocas.
ela era melhor que nós e eu não sou
nem serei ela nem Marlene nem

2.12.09

E o que devo eu amar, senão o enigma? (De Chirico)

Antes, enquanto esperava
uma resposta,
postergava a lágrima mais profunda
que o riso e a morte
de Deus.
Agora, de olhos tristes como os do último dia,
posso me devotar
a esses homens exaustos de si mesmos.