26.6.08

Trocando de biquíni - sem parar

alma gentil não se nega a apontar o caminho certo:

_ Pode ir reto, Satanás!

25.6.08

perguntas de um trabalhador que não lê

lâmina d'água
será que corta?

23.6.08

um cheiro no bago do olho
um cheiro no cangote
um cheiro no subaco
cheiro no babau
um cheiro, nega
cheiro, mãe
cheiro, pai
cheiro, maninho
cheiro, maninha
cheiro, siá
cheiro, siazinha
vem cá, dá um cheiro!
ô, siazinha, dá um cheiro!
cheiro, gente, um cheiro.

20.6.08

A gente toma banho. Se esforça pra ficar bonitinho. Sai limpinho de casa. No caminho, vai absorvendo os odores da cidade. CO2, cigarro e perfume mais vagabundo que o nosso. Uma bosta. Eis que, entre o churrasgato e o cecê das sete da manhã, o cheiro vulgar de patchuli traz de volta o melhor Natal da infância.
Maldito Proust.

17.6.08

Eu dizia e repetia:

a little less conversation, a little more action...


Nada. Ele lá. Insistindo em ser sensível.

5.6.08

Óia o tempo que passou. Me mudei para São Paulo e talz... As palavras secaram um pouco. Peguei uma gripe. Úmido o nariz pelo menos. Vira e mexe os olhos coçam e uns dez espirros iniciam/encerram o dia. Muita televisão para ver cenas de horror que me dão tédio. Muito barulho ao qual devo me acostumar para voltar a me ouvir. Me alegro pelos amigos próximos, que me rendem terapias do riso. O ritmo da minha prosa é entre o superficial-contemporâneo e o melancólico-bandeiresco, mas uma hora dessas qualquer reviro a volta. Rá! Trocadalhos do carilho a mais ingênua diversão e muita gente acha que é o supra-sumo da poesia. Em tempos de crise quem tem um olho é rei. Ciclope saravá. Perdida a vontade e/ou capacidade de autocrítica, a gente fala tudo. E vem sem pé nem cabeça a fala ou com pés e cabeças demais. Se quem tem mais cabeças tem mais olhos, então talvez a gente 'teje' no lucro. Um ciclope com várias cabeças ainda é um ciclope? Eu posso inventar esse bicho? Várias almas redondas de etimologia furada e histórias pra boi dormir. Eu só posso dizer que, recentemente, me desencantei da morte, cujo mistério é nenhum.