27.2.08

O leitor é, inegavelmente, um sádico. São sádicos os leitores de bom gosto do século XXI, do XX, do XIX, de antes. E os de mau gosto. A reação catártica do público, suscitada pela encenação da tragédia, lá na Grécia pagã, já era deleite a meu ver. Era deleite dos outros a desgraça dos outros. O alívio sentido por aqueles homens de passados 2000 anos não era outra coisa senão o prazer remanescente do post coitum. Com os olhos vidrados, chorando e gemendo, não poderiam jamais deixar a cena, e quem estava para se ferrar na cena, a não ser depois da explosão, sabeis qual, manifesta na pulsação acelerada, nas pupilas imensas.
Por essa secreta razão ia Fortunato ao teatro. Pela mesma razão o enfadavam as comédias. Hoje, contudo, talvez 'olhasse com interesse' para estas, pois não há época como a nossa, parece-me, que se tenha deliciado tanto com a catástrofe e, mais ainda, rido às gargalhadas, às lágrimas.
Enfim, saindo da digressão, retomando o que havia dito no início do texto e usando todos os gerúndios a que tenho direito, tadinhos, tão fora de moda, e dispersando-me novamente e voltando... O leitor é um sádico, o espectador é um sádico. Esse que olha para qualquer forma de arte com amor - esse é um sádico. Ele pede, como um demônio, a alma do artista; pede que o artista/criador seja inclemente consigo e com sua criação; concede a clemência na barganha (o elogio, a babação, a exposição sem a garantia de eternidade). Ele se compraz na vileza, na amargura, na loucura, no crime - que nele não estão, mas que exige, e sua apregoada compaixão é mera falácia.
Sei disso porque ele sou eu e porque conheço outros todos como eu.

Quanto ao artista/criador, este é um banana. Só isso tenho a dizer.

Para os meus da literatura: 'Quanto ao autor, é um banana! Eis o que vos digo.'

p.s. 1: Todo esteta é sádico, mas todo sádico é esteta?
p.s. 2: Fortunato é esteta e sádico, resta saber se é também artista, pois que a tortura infligida por ele ao rato é ao mesmo tempo técnica e ritualística...
p.s. 3: o artista é sádico? claro que não! é um masoquista, um bananão.
p.s. 4: por isso acima podemos dizer que Fortunato não é artista, desde que não é um banana.
p.s. 5: o artista é um esteta? não, pela lógica. pois se é esteta talvez seja sádico, mas não pode ser sádico, caso contrário ficaria em pé de igualdade com o esteta, deixando de ser banana e não pode deixar de sê-lo, desde agora e para sempre!!!
p.s. 6: todos os p.s. acima deverão ser lido com apenas 10% de seriedade. O texto deve ser lido com 40% de seriedade e, como não há título, não se carece de preocupação.
p.s. 7: cansei.

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26.2.08

Há dois dias não faço nada. Se ela for minha inspiração me mato. E ainda hoje pensei: mas eu não sei o que é ser ela. Sobretudo, pensei: não sei o que é tranquilamente ser sem parecer/ser o ridículo.

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25.2.08

i´m a useless illusion

15.2.08

Tággidi nas Aulas de Direção 2

Diálogo rápido e incerteiro:

_ Ah, instrutor, se eu for reprovar, não quero reprovar assiiiim, por uma coisa besta, como seta.
_ Ah, claro que não...
_ Então, eu acho melhor, se for pra reprovar, causar logo um acidente.
_ !
Pra fazer valer a visita de quem vier, então, se eu não sirvo, que sirva Henri Cartier-Bresson. Dá vontade a todo mundo. Convida ao riso, ao sorriso. Dá saudade a todo mundo. Até pra quem não viveu.
O post abaixo prova que qualquer texto que se preze não pode prescindir da boa e velha transpiração. Quinze minutos resultam em merda certa.
Onde está mesmo minha fortuna? Aquela que me daria o tempo necessário para servir à palavra? Oh, mundo cruel! E eu insisto...

14.2.08

Tinha tanta, muita coisa pra escrever. Ando cansada, porém. Acordo às 5h30 da matina, para as aulas de direção. Como era de se esperar de mim mulher, e não da Tággidi (...), dirijo sofrivelmente. E, em homenagem a essa mulher exposta ao/pelo ridículo do senso comum das vozes masculinas (e não só), escrevo esse chiste-poema-prosa:

Tággidi nas Aulas de Direção

Esquerda, direita
Esquerda, direita
A direita é a mão com que escrevo à caneta, ó pai
A direita é aquilo que papai repudiava nos anos 80

Esquerda, direita
Esquerda, direita
Ops!
A complicação na seta: para cima, para baixo
(sentido e direção e eu sem senso)
Para cima, direita
Para baixo, esquerda
Para cima, direita
Para baixo, esquerda

A esquerda é a mão que mal coordeno, ó pai
A esquerda era eu lendo a biografia de Fidel aos onze anos

Para cima, a direita; para baixo, a esquerda.

É, não se pode negar que seja afirmação absolutamente correta.

Direita, esquerda, pra riba, a bajo, al zentrum e al dentrum - que saudade das tequilinhas...

Direita, esquerda, pra cima, pra baixo. Seta, sentido, direção - tudo filosófico demais.

E olha que nem chegamos aos espelhos.

xxxx

Peço desculpas pelo mal-escrito. Prometo melhorá-lo, para tentar ser chiste, ou poema, ou prosa, ou não. ;-)