22.7.08

Vou inventar uma história agora porque cansei de promessas não cumpridas. Vou precisar de um personagem, pelo menos. Não vai ser denso, que a história será curta. Se eu conseguir densidade em poucas linhas, me chamem génio.

Vou precisar de uma situação, um enredo, uma história (que era o que eu me propus a fazer - uma história).

Tenho que saber o que vai acontecer com o personagem que passar por essa situação.

Tá tudo muito cru, mas eu vou começar mesmo assim. Vou começar da maneira mais crua e besta, dando nome aos bois. Vou eleger 'João' o personagem que irei desenvolver.

Tá tudo muito nebuloso e mal escrito, mas vou continuar mesmo assim:

João sai de casa um dia (ele saía de casa todos os dias, na verdade, mas esse 'um dia' tem que ser assinalado porque é nele que vai acontecer algo diferente. Na verdade, pensando bem, todos os dias de João tinham alguma coisa digna de nota - é que basta colorir um pouco as coisas, como a gente faz na escrita, pra fazer o dia de qualquer João virar literatura, ainda que de blog.) pensando em não querer saber pra onde ir, mas acabou por estacionar no mesmo bar de sempre (um dos problemas das histórias são a imensa quantidade de lugares-comuns que trazem - na verdade, o problema maior está mesmo nas personagens). João pediu uma cerveja e acendeu um cigarro, enquanto olhava sem muito interesse as figuras já batidas do bar (coitados o João, o escritor e o leitor - eu acho que todo mundo se espantou muito com o caso Isabela e com o austríaco incestuoso e pedófilo e depois não conseguiu pensar mais nada que pudesse superar a realidade). Enfim, o pobre o João estava lá e sentiu-se miserável - tudo ali era conhecido, certo, seguro e ele se sentia extremamente confortável lá! Sentiu-se miserável numa certa inveja daqueles que fabricam as próprias epifanias, sem se dar conta que repetem o que leram de ouvido. Sentiu-se incompetente, impotente, incapaz de sequer começar a imaginar algo fora da vida de cotidianidades, cristalina e rasa. Contudo, não era tristeza nem lamento, isso sabia. Era só de novo a vontade de parecer interessante (ele sabia que as epifanias eram o supra-sumo do interessante contemporâneo) e divertir-se talvez um pouquinho mais. João nunca esperou muita coisa.

0 Comentários:

Postar um comentário

Assinar Postar comentários [Atom]

<< Página inicial