1.4.08

Felicidade foi-se embora
E a saudade no meu peito
Ainda mora
E é por isso que eu gosto
Lá de fora
Porque sei que a falsidade
Não vigora

Felicidade era quem brincava comigo quando eu era criança, mas ela ficou grande depressa e eu continuei pequena. Foi ela que me disse que um dia eu brigaria com todo mundo, que não suportaria tanto mimo e tanta proteção. Ela me disse: 'Você vai ver.' E eu vi mesmo. Mas até então tudo me parecia até agradável. Para ela, não era. Até porque de quando em quando eu ainda gostava de puxar-lhe os cabelos e mordê-la. Para ela não era também porque não era nossa filha, não era irmã nem mãe minha. Felicidade era nada. Felicidade ficava presa ouvindo os outros lhe ralharem. Felicidade não entendia que direito tinham de não a deixarem sair quando quisesse, namorar os homens que quisesse, estudar ou não estudar. Felicidade precisava sair de lá, da minha casa. Felicidade já não achava graça em mim, nem no resto. Felicidade queria ir. E foi-se.

Quando Felicidade cresceu de vez, foi-se embora pra cidade grande.
Depois, trocou de nome.

2 Comentários:

Blogger Guto Leite disse...

Curioso, Tá... muito curioso...

2/4/08 23:09  
Anonymous Suiara disse...

muito bom!!... é pra fazer pensar!
Espero que estejas bem! beijos!

8/5/08 22:01  

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