era no mínimo curioso. eu não tinha caixas de lápis de doze cores. eu não tinha a borracha de que mais gostava, branquinha e macia, com a cara de uma mulher (?) desenhada em azul fraquinho. a minha borracha era sempre dura e feia, metade terra-ferro, metade azul-verde. os apontadores nunca deixavam meus lápis com as pontas finíssimas e minhas canetas nunca tinham bico fino (aí minha letra ficava feiosinha). eu reclamava das borrachas e não dos apontadores. das canetas e não dos lápis de cor. o porquê não sei, se me incomodavam uns e outros. acho que era já o meu dó de gastar, sabendo que não o podia. ou mais, talvez. um senso torto da justeza das coisas - não aporrinhar mamãe demais, coitada. eu consentia em perder, sem pesar. eu me conformava. na papelaria, era eu sem escândalos, sem berro nem bate-pé.
sem as borrachas, nem as canetas, do reclame.
sem as borrachas, nem as canetas, do reclame.
Marcadores: apontador, borracha, caneta, gastar, lápis, papelaria, perder


1 Comentários:
Sei o peso deste elogio pra você, faço-o conscientemente. Texto belamente roseano, Tá! Preciso. Um cheiro.
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